
-Eu te amo (me disse), olhando para o espelho. Claro que imediatamente pensei no ridiculo da situação, na pieguisse. Mas sem querer pregar a falaciosa autosuficiencia feminina, ou redigir um falacioso manual de auto-ajuda, posso dizer que muitas vezes é preferível beijar a si mesma a ser beijada por um homem. Um beijo em si ajuda a dar-se conta da importância da própria existência. Em contrapartida, não ser beijada pode evitar muitos transtornos.
Carolina me contou que se entregara perdidamente a uma paixão e que quando ele a beijou pela primeira vez, sentiu um calafrio que rapidamente se instalou na boca do estômago.
- Foi um sonho! Disse ela.
E dando continuidade ao seu relato, disse-me ainda que durante muito tempo ocultara seu desejo por aquele homem, pois temia as condições em que aquela paixão se daria, já que os dois viviam em diferentes estados. Conteve-se, deteve inúmeras vezes as iniciativas que chegavam intempestivamente à ponta de sua língua quando o via.
Mas depois daquele beijo, tudo mudou. Eles mudaram. O corpo dela tremulava na medida em que ele se aproximava. Os olhos dele mudavam de cor quando a reconhecia. Após alguns meses, teriam feito entre si todas as declarações que antecedem o começo de uma história em comum. Segundo Carolina, planejavam que ele se mudaria de estado e, então, fariam como Salvador Dali que se trancou por vários dias em seu quarto com a mulher que amava.
No entanto, logo após a mudança, furtivo, ele deixou de vê-la e de beijá-la.
Teria aquele lugar exercido uma espécie de pressão traumática sobre aquele homem que outrora parecera estar certo do que queria?
Carolina ficou perplexa, e no dia em que guardou os lenços, saiu de casa para perguntar às estrelas onde poderia encontrar uma explicação para aqueles dias cinzas.
Poucos metros dali se deparou com a resposta vendo-o passear pela noite com outra mulher.
Carolina me contou que se entregara perdidamente a uma paixão e que quando ele a beijou pela primeira vez, sentiu um calafrio que rapidamente se instalou na boca do estômago.
- Foi um sonho! Disse ela.
E dando continuidade ao seu relato, disse-me ainda que durante muito tempo ocultara seu desejo por aquele homem, pois temia as condições em que aquela paixão se daria, já que os dois viviam em diferentes estados. Conteve-se, deteve inúmeras vezes as iniciativas que chegavam intempestivamente à ponta de sua língua quando o via.
Mas depois daquele beijo, tudo mudou. Eles mudaram. O corpo dela tremulava na medida em que ele se aproximava. Os olhos dele mudavam de cor quando a reconhecia. Após alguns meses, teriam feito entre si todas as declarações que antecedem o começo de uma história em comum. Segundo Carolina, planejavam que ele se mudaria de estado e, então, fariam como Salvador Dali que se trancou por vários dias em seu quarto com a mulher que amava.
No entanto, logo após a mudança, furtivo, ele deixou de vê-la e de beijá-la.
Teria aquele lugar exercido uma espécie de pressão traumática sobre aquele homem que outrora parecera estar certo do que queria?
Carolina ficou perplexa, e no dia em que guardou os lenços, saiu de casa para perguntar às estrelas onde poderia encontrar uma explicação para aqueles dias cinzas.
Poucos metros dali se deparou com a resposta vendo-o passear pela noite com outra mulher.
As promessas se perderam escorrendo pela rua. Seu coração petrificou.
Após alguns dias, tomando a iniciativa de entrar em contato Carolina perguntou, se ele fazia idéia de quanto tempo seria necessário passar para que ela voltasse a ter coragem de se entregar e de amar intensamente depois daquela experiência.
Quando ela me contou isso, pensei que talvez Carolina estivesse tentando dividir com ele a sua dor ou tentando adverti-lo da imprudência que ele cometera. Mas aquele homem, descrito com tanta admiração num primeiro momento de nossa conversa, não se enterneceu.
E respondeu: - Vai ser quando você se amar!
Após alguns dias, tomando a iniciativa de entrar em contato Carolina perguntou, se ele fazia idéia de quanto tempo seria necessário passar para que ela voltasse a ter coragem de se entregar e de amar intensamente depois daquela experiência.
Quando ela me contou isso, pensei que talvez Carolina estivesse tentando dividir com ele a sua dor ou tentando adverti-lo da imprudência que ele cometera. Mas aquele homem, descrito com tanta admiração num primeiro momento de nossa conversa, não se enterneceu.
E respondeu: - Vai ser quando você se amar!
Ela engoliu seco diante da virulência.
Depois percebi que a pergunta que ela fizera insinuava que justamente por nos amarmos e sermos ao mesmo tempo confrontadas com essas situações, nos tornamos mais reticentes com as pessoas e que isso não é necessáriamente bom.
Entendi que o enganar-se com alguém não é sinônimo de desamor por si, é antes de qualquer coisa, crença no outro, construída e destruída a dois.
Além disso, evidenciou-se a banalidade dos argumentos de que a mulher não se ama, de que constrói castelos e de que se dedica ao auto-engano. Tais argumentos são evocados para explicar e justificar quase tudo, das grandes traições e mentiras à falta de carinho e desejo cotidiano. Explicam também nossa fragilidade, delicadeza, perspectivas, tristezas e outros tantos sentimentos constituintes de nossa humanidade. Porém, é impossível aceitar esse tipo de argumentação diante de nossa própria complexidade e da complexidade das nossas relações. Do contrário, seria como se nos sujeitássemos à violência simbólica da imposição de culpas e, estas, não curam feridas e nem revelam as responsabilidades mútuas. É preciso muita coragem para ir além dos jargões e tentar verdadeiramente desvelar o espírito feminino, forjando o respeito pela mulher. Nesse sentido, podemos até admitir a espera de um príncipe destemido.
Entendi que o enganar-se com alguém não é sinônimo de desamor por si, é antes de qualquer coisa, crença no outro, construída e destruída a dois.
Além disso, evidenciou-se a banalidade dos argumentos de que a mulher não se ama, de que constrói castelos e de que se dedica ao auto-engano. Tais argumentos são evocados para explicar e justificar quase tudo, das grandes traições e mentiras à falta de carinho e desejo cotidiano. Explicam também nossa fragilidade, delicadeza, perspectivas, tristezas e outros tantos sentimentos constituintes de nossa humanidade. Porém, é impossível aceitar esse tipo de argumentação diante de nossa própria complexidade e da complexidade das nossas relações. Do contrário, seria como se nos sujeitássemos à violência simbólica da imposição de culpas e, estas, não curam feridas e nem revelam as responsabilidades mútuas. É preciso muita coragem para ir além dos jargões e tentar verdadeiramente desvelar o espírito feminino, forjando o respeito pela mulher. Nesse sentido, podemos até admitir a espera de um príncipe destemido.
Um comentário:
amiga, acho que sou Carolina!!!rssss. estava pensando nessas coisas e na dificuldade que encontramos para viver no 'arido terreno das emocoes. Penso que fazemos parte de uma estirpe maldita de mulheres:aquelas que inquitam os homens, sao odiadas pelas outras mulheres e sofrem mt por viverem td intensamente. E que saber?Me tem sido mt bom ser maldita, afinal, so quem ja morreu na fogueira sabe o que ser carvao. bjs. parabens pelo blog.
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