separação
2007
2007
Eu quis ser amada e querida, quis ser, sobretudo, aceita. Queria amar também claro, mas não importava com que intensidade ou a partir de quando, acreditava que podia dar certo, e isso era quase tudo. Quis também construir um mundo novo, no qual eu pudesse gozar de um pouco de respeito e, portanto, de reconhecimento de uma existência que talvez nem eu mesma mais reconhecesse. Estava disposta a tudo para ter este instante de paz. E a tudo me dediquei. Perdoei mil vezes, tentei compreender outras tantas, escondi partes de mim para que ninguém pudesse ter motivos para me desprezar. Empenhei-me e, embora não fosse evidente, dentro de mim havia um esforço descomunal e treinos constantes para não fugir às regras impostas por mim mesma através dos meus medos. Quando eu me escapava, um milímetro que fosse, me inundava de sofrimento, arrependimento, e auto-condenação. Quantas vezes visualizei o disparo de uma arma de fogo, pensei em como dar o nó na corda ou empunhar uma lâmina afiada contra os pulsos. Mas sabia que não seria capaz de levar adiante todos estes imensos quereres. Eu não tinha capacidade, eu não era suficiente, e tinha que ser tanto, tanto, tanto...
Tudo o que eu queria, e aqueles a quem eu queria, me impunham desafios para ser, ser e ser. Não porque naturalmente me cobravam, mas porque eu os queria, amava, e ao sentir assim também me impunha objetivos, sendo o principal deles não decepcionar, ou seja, não romper com o sistema de trocas simbólicas. Por fora, ah por fora parecia estar tudo indo muito bem, mas por dentro, girava, girava, girava... em vertigens alucinatórias que espiralavam meu corpo e minha alma.
Fiquei tonta, quase desmaiei pra nunca mais acordar, mas foi aí que eu me despertei. A que ritmo frenético tinha me submetido? Por quê? Ao perguntar me tornei incapaz de prosseguir com aquilo, de seguir com ele. Como sair da ciranda? Como fazê-lo sem romper a roda que girava? Nunca encontrei as respostas, e a despeito disso, tentei agir e; o espelho se quebrou. Meu perfil se partiu em mil estilhaços que sangraram meus queridos.
Passei a recolher os pedaços manchados de rubro e na tentativa de juntá-los já não podia mais evitar as cicatrizes. Epidermes se regenerarão. Voltarei a estar inteira, mas a luz jamais refletirá da mesma maneira. Talvez ganhe novos e belos feixes de luz, talvez feixes sórdidos de sombra profunda. Um caminho entre a paz e a senda escabrosa. O todo é que determinará.
Não se constrói sem se respeitar o que é. Um amontoado de sentimentos e ações não levam a nada.
Tudo o que eu queria, e aqueles a quem eu queria, me impunham desafios para ser, ser e ser. Não porque naturalmente me cobravam, mas porque eu os queria, amava, e ao sentir assim também me impunha objetivos, sendo o principal deles não decepcionar, ou seja, não romper com o sistema de trocas simbólicas. Por fora, ah por fora parecia estar tudo indo muito bem, mas por dentro, girava, girava, girava... em vertigens alucinatórias que espiralavam meu corpo e minha alma.
Fiquei tonta, quase desmaiei pra nunca mais acordar, mas foi aí que eu me despertei. A que ritmo frenético tinha me submetido? Por quê? Ao perguntar me tornei incapaz de prosseguir com aquilo, de seguir com ele. Como sair da ciranda? Como fazê-lo sem romper a roda que girava? Nunca encontrei as respostas, e a despeito disso, tentei agir e; o espelho se quebrou. Meu perfil se partiu em mil estilhaços que sangraram meus queridos.
Passei a recolher os pedaços manchados de rubro e na tentativa de juntá-los já não podia mais evitar as cicatrizes. Epidermes se regenerarão. Voltarei a estar inteira, mas a luz jamais refletirá da mesma maneira. Talvez ganhe novos e belos feixes de luz, talvez feixes sórdidos de sombra profunda. Um caminho entre a paz e a senda escabrosa. O todo é que determinará.
Não se constrói sem se respeitar o que é. Um amontoado de sentimentos e ações não levam a nada.
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